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COMUNICA 2026

 COMUNICA 2026

Comunicar na universidade hoje: reflexões teóricas e propostas práticas

Centro Linguistico dell’Università degli studi di Perugia (21-22 de maio de 2026)

 

Call for papers – English

Call for papers – Español

Call for papers – Français

Call for papers – Italiano

1º de setembro de 2025: abertura da chamada de trabalhos

15 de novembro de 2025: prazo final para o envio dos resumos

Descrição

A comunicação académica configura-se como um domínio heterogéneo, no qual coexistem diferentes funções: do confronto especializado entre pares até à transmissão formativa entre docentes e estudantes, passando pela mediação orientada para a divulgação destinada a interlocutores não especialistas. Independentemente do âmbito disciplinar, a comunicação académica baseia-se essencialmente na utilização da língua, nas suas formas orais e escritas, para veicular conceitos e conhecimentos.

A ideia deste congresso nasce no âmbito das atividades promovidas pelo Centro Interuniversitário Internacional LinE – Language in Education, em particular do grupo que se dedica ao estudo da comunicação académica, das suas funções, do seu impacto ao nível da didática e da formação, bem como das suas implicações linguísticas e pragmáticas.

A língua académica, em particular, pode ser considerada atualmente uma variedade especializada, utilizada em textos e discursos académicos para facilitar a comunicação e a reflexão sobre conteúdos disciplinares. Trata-se de uma língua interdisciplinar que os estudantes e  os especialistas devem dominar para  comunicarem eficazmente, construírem argumentações críticas e partilharem estratégias cognitivas complexas. Esta língua é utilizada em diversas situações comunicativas, como aulas, seminários, manuais de estudo e artigos científicos, sendo fundamental para uma compreensão clara e uma análise dos materiais de estudo (Bailey & Heritage, 2008; Balboni, 2000; Ciliberti & Anderson, 1999; Desideri & Tessuto, 2011; Mezzadri, 2016; Nagy & Townsend, 2012; Nation, 2001; Schleppegrell, 2004).

Se, por um lado, os estudantes necessitam de  demonstrar níveis crescentes de sofisticação nas suas capacidades linguísticas à medida que progridem nos seus estudos, por outro, os profissionais, docentes e investigadores necessitam igualmente de elevados níveis de competência linguístico-comunicativa para expressar conteúdos especializados de maneira eficaz. A competência na língua académica é um indicador da capacidade de realizar raciocínios científicos e é essencial para todos os estudantes e futuros profissionais, independentemente da sua língua materna (Bialystok, 2001).

O ensino explícito da língua especializada académica é, portanto, necessário para a aquisição da competência linguística cognitivo-académica (CLCA), que permite aprender e processar criticamente novos conhecimentos, bem como desenvolver estratégias comunicativas apropriadas (Cummins, 1986). Esta competência distingue-se das capacidades comunicativas quotidianas e requer a aquisição de novos conteúdos disciplinares expressos numa forma linguística menos familiar (O’Brien & Leighton, 2015).

Nos últimos anos, a importância da língua académica tem vindo a ser reconhecida, em função de um contexto de crescente internacionalização em que se inserem as universidades. A aquisição de competências relativas aos elementos constitutivos da língua académica, abrangendo o plano terminológico, estrutural, retórico e pragmático, é fundamental para o sucesso no percurso de estudos e investigação, bem como para garantir a eficácia e a adequação das interações comunicativas nos diferentes contextos disciplinares.

Paralelamente, o recurso crescente de ferramentas baseadas na inteligência artificial por estudantes e docentes está a transformar as formas de acesso aos conteúdos académicos, bem como a sua produção e avaliação. Por exemplo, a utilização consciente da IA no contexto universitário, nomeadamente nos processos de escrita, revisão, investigação e fornecimento de feedback, suscita questões importantes relacionadas com a competência comunicativa, a reflexão metalinguística e a redefinição dos papéis entre tecnologias e práticas pedagógicas. Se integradas criticamente no ensino e no estudo, essas ferramentas podem representar um recurso para potenciar a comunicação académica, apoiar a aquisição da linguagem de estudo e facilitar o acesso aos discursos disciplinares.

O  presente congresso tem como objetivo discutir as questões supramencionadas centrando a reflexão na internacionalização das instituições educativas, nas abordagens plurilíngues, na  didática universitária, na língua utilizada para o estudo e  nas linguagens especificas das várias disciplinas, bem como no papel do  English-Medium Instruction (EMI) e das línguas académicas nacionais, tendo em conta as práticas e os contextos de aplicação.

 

Temas:

a) O papel da comunicação académica nos processos de internacionalização

b) Práticas plurilingues na didática universitária

c) Língua do estudo e linguagens disciplinares: características e funções

d) EMI e línguas académicas nacionais: práticas e contextos de utilização

 

a) O papel da comunicação académica nos processos de internacionalização

Atualmente, a internacionalização é um dos processos mais complexos e desafiantes, mas também dos mais relevantes, com que as universidades se deparam. A A comunicação académica desempenha um papel crucial ao facilitar o acesso e a partilha de conhecimentos em contextos culturais e linguísticos distintos. Entre os temas de interesse, destacam-se:

  • O impacto dos percursos de mobilidade internacional nas práticas discursivas académicas;
  • Estratégias linguístico-comunicativas para a divulgação e a cooperação internacional;
  • A língua nos projetos de mobilidade estudantil e no ensino transnacional;
  • Dinâmicas linguísticas na publicação científica e em conferências internacionais.

 

b) Práticas plurilíngues na didática universitária

A crescente diversificação linguística dos estudantes universitários e a presença de contextos académicos cada vez mais internacionais tornaram as práticas plurilíngues um recurso fundamental nos percursos académicos. Esta seção acolhe contribuições sobre:

  • Abordagens didáticas que integrem várias línguas no ensino universitário;
  • Estratégias para a gestão do plurilinguismo na sala de aula;
  • Uso da(s) língua(s) oficial(is) e de outros sistemas linguísticos no discurso académico;
  • O papel da tradução e da mediação linguística em contextos académicos multilíngues, incluindo as práticas de educational interpreting.

 

c) Língua do estudo e linguagens disciplinares: características e funções

A língua do estudo (oral e escrita), entendida como o registro linguístico utilizado pelos estudantes para aprender e reelaborar os conteúdos disciplinares, é um componente essencial da formação universitária. Esta seção concentra-se em:

  • As características linguísticas e textuais dos manuais e materiais didáticos académicos;
  • Continuum do discurso académico entre as duas polaridades da língua do estudo e das linguagens disciplinares;
  • Estratégias didáticas para facilitar a compreensão e produção de textos especializados;
  • O papel da terminologia no desenvolvimento dos quadros conceituais das diversas disciplinas e nos processos de aprendizagem;
  • O papel da inteligência artificial na reelaboração de conteúdos disciplinares e no apoio à compreensão e produção oral e escrita.

 

d) EMI e línguas académicas nacionais: práticas e contextos de uso

O English-Medium Instruction é um fenómeno cada vez mais difundido nas universidades de todo o mundo, com impactos significativos nas línguas académicas nacionais e nas práticas de ensino. Esta secção acolhe estudos e reflexões sobre:

  • Modelos e estratégias de implementação do EMI nas universidades;
  • Interferências e coexistência entre o inglês e as línguas nacionais no discurso académico;
  • A eficácia do EMI nos processos de aprendizagem e avaliação;
  • Estratégias de avaliação nos percursos EMI.

Línguas de trabalho: italiano e inglês

Formato para os resumos:

As propostas de comunicação podem assumir a forma de reflexões teóricas baseadas em trabalhos já existentes, apresentações de estudos científicos ou relatos reflexivos de experiências apoiadas em dados empíricos.

As propostas devem incluir:

  • o título
  • um resumo com um máximo  de 400 palavras
  • Até 5 referências bibliográficas
  • Indicação do tema ou temas correspondentes

As propostas podem ser apresentadas na língua escolhida pelos/as autores/as (italiano ou inglês), que será também a língua da apresentação oral. Caso pretenda submeter uma proposta noutra língua, solicita-se  que entre em contato com os organizadores.

As propostas devem ser anónimas. Os/as autores/as devem garantir que não apareçam na proposta nem possam ser identificados/as por meio do nome de um projeto.

Cada autor/a pode apresentar apenas uma proposta; em caso de coautoria, cada autor/a poderá apresentar no máximo uma proposta como autor/a único/a e uma como coautor/a.

As propostas devem ser enviadas para o seguinte endereço:

 convegno.comunica2026@unipg.it

 

Formato das comunicações:

São previstos 20 minutos de apresentação, seguidos de 10 minutos de discussão.
As línguas das comunicações serão à escolha dos relatores (inglês, italiano).

Calendário:

  • 1º de setembro de 2025: abertura da chamada de trabalhos
  • 15 de novembro de 2025: prazo final para o envio dos resumos
  • 5 de janeiro de 2026: notificação aos autores
  • 15 de março a 20 de abril de 2026: período de inscrição
  • 21–22 de maio de 2026: congresso no CLA – Università degli Studi di Perugia

 

Modalidade de realização do congresso:

O congresso realizar-se-á exclusivamente de forma presencial.

Por motivos organizativos, não serão, em circunstância alguma, aceites pedidos de participação à distância.

Publicação dos trabalhos:
Está prevista a publicação de uma coletânea de contribuições num número monográfico de revista, mediante seleção prévia do Comité Científico.

Comité Científico

Diana Peppoloni, Elisabetta Bonvino, Mariavita Cambria, Sandro Caruana, Cristiana Cervini, Elisa Fiorenza, Nicola Grandi, Paula Limao, Yahis Martari, Emanuela Paone, Marco Paone, Fabiana Rosi, Matteo Santipolo, Andrea Villarini

Comité organizado

Diana Peppoloni, Susanna Alessandrelli, Cristiana Cervini, Elisa Fiorenza, Paula Limao, Yahis Martari, Emanuela Paone, Marco Paone

Referências bibliográficas

Bailey A. L., Heritage H. M. (2008), Formative assessment for literacy, grades K-6: Building reading and academic language skills across the curriculum, Corwin Press, Thousand Oaks.

Balboni E. P. (2000), Le microlingue scientifico-professionali. Natura e Insegnamento, UTET, Torino.

Bialystok E. (2001), Bilingualism in Development: Language, Literacy, and Cognition, Cambridge University Press, Cambridge.

Ciliberti A., Anderson L. (1999), Le forme della comunicazione accademica. Ricerche linguistiche sulla didattica universitaria in ambito umanistico, FrancoAngeli, Milano.

Cummins J. (1986), “Empowering minority students: A framework for intervention”, in Harvard Educational Review, 56, pp. 18-36.

Desideri P., Tessuto G. (2011), Il discorso accademico. Lingue e pratiche disciplinari, Quattroventi, Urbino.

Mezzadri M. (2016), Studiare in italiano all’università. Prospettive e strumenti, Loescher, Torino.

Nagy W., Townsend D. (2012), “Words as tools: Learning academic vocabulary as language acquisition”, in Reading Research Quarterly, 47, pp. 91-108.

Nation I. S. P. (2001), Learning vocabulary in another language, Cambridge University Press, Cambridge.

O’Brien L. M., Leighton C. M. (2015), “Use of increasingly complex text to advance EL’s knowledge and academic language”, in Literacy Research: Theory, Method, and Practice, 64, pp. 169-192.

Schleppegrell M. J. (2004), The language of schooling: A functional linguistics perspective, Lawrence Erlbaum Associates Publishers.

L'autore

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